| A beleza de ser estranho |

— por Thiago Soares, Folha de Pernambuco. Agosto, 2012 —

A performance sempre foi uma categoria meio estranha no mundo das artes: pode estar ligada a manifestações das artes plásticas, tendo o corpo como matéria prima, mas também ao teatro, tendo o cênico como aparato de discurso. Sem a pretensão de demarcar estes limites, os atores João Lima e Vítor Roriz levaram ao palco do Teatro Hermilo Borba Filho, o lindo espetáculo “Ilusionistas”, que encerrou temporada domingo passado e segue para Barcelona (6 de dezembro) e no início de 2013 no Rio de Janeiro. Na encenação, dois homens estabelecem formas estranhas de contato, questionando as maneiras “estanques” de comunicar. Palavras são desnecessárias, a dança vira metáfora do estranhamento. Num mundo em que tudo vem “de bandeja” para nossos sentidos, uma peça como “Ilusionistas” nos ajuda a questionar as convenções, as imposições do real e mostrar que há beleza, sim, em ser estranho.



MORDER A LÍNGUA, 2014
AMOR, PLÁSTICO E BARULHO, 2013.
SENHORA DOS AFOGADOS, 2000.
A HISTÓRIA DO ZOOLÓGICO, 2001.