| A ficção que nos rodeia |

— por Luiza Maia, Diário de Pernambuco. Agosto, 2012. —

viver

Uma paisagem viva. É assim que o ator e bailarino recifense João Lima descreve o dueto Ilusionistas. Ele mora na Europa há oito anos e divide cena com o português Vítor Roriz, que se apresenta pela primeira vez no Recife. João evita definições para o projeto multigênero que se apropria da dança, teatro e performance. O espetáculo estreia hoje e cumpre temporada de três semana no Teatro Hermilo Borba Filho (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife), às quintas-feiras, sextas-feiras, sábados, às 20h, e domingo, às 19h.
“Somos intérpretes em cena. Falamos, olhamos, mexemos, cantamos. É um trabalho intrigante, que pode lançar algumas perguntas mais do que dar respostas”, acredita. A coreografia parte da ideia inicial de retirar ficção do que nos rodeia, com o desejo de criar ilusões. Em um cenário minimalista, com poucos objetos com os quais os bailarinos se relacionam, os artistas desenvolvem um espetáculo físico e rítmico.
“A gente tentou também tratar na mesma hierarquia a relação entre seres humanos e objetos, entre seres humanos e a paisagem”, explica. Para ele, os “seres pós, pré e trans-humanos” também são passíveis de animação, como os objetos. Ilusionistas já tem datas marcadas em Barcelona, onde João Lima mora, e no Rio de Janeiro.

Apesar de morar fora do país, o bailarino recifense mantém constante intercâmbio com o Brasil. No ano passado, esteve no Rio de Janeiro, em temporada com o espetáculo Natureza monstruosa. As últimas apresentações no Recife foram em 2010, com o solo O outro do outro. “Para mim, é muito importante manter esse trânsito, me apresentar no Recife, na minha aldeia, no lugar em que nasci”, comemora. “Ao mesmo tempo, tenho uma crítica muito forte à cena brasileira, à ideia de desenvolvimento que esconde muita coisa. A gente sabe que falta de recursos não é o problema atual do Brasil. Falta planejamento, desejo de transformação, trabalho, por a mão na massa. Espaços públicos tão poucos, raros e especiais. Dá muita pena ver que são tratados com descaso”, desabafa.



NATUREZA MONSTRUOSA, 2011.
AMOR, PLÁSTICO E BARULHO, 2013.
IT´S A JUNGLE IN HERE!, 2007.
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