| Monstro de pelúcia |

— por Alice Sant’Anna, O Globo – Transcultura Rio de Janeiro. Dezembro, 2011. —

“NATUREZA MONSTRUOSA”: no espetáculo dirigido pela coreógrafa Marcela Levi, em cartaz no Espaço SESC, um tapete é ao mesmo tempo personagem e cenário.
O chão do palco é coberto por um tapete de pelúcia, espécie de grama selvagem, ocre. Enquanto uma dançarina saltita despreocupada em círculos, outra atravessa a cena às pressas, num movimento repetitivo, olhos fixos na platéia, e solta um grito assustador. Assim começa “Natureza monstruosa: matéria estalada”, quinto trabalho que leva a assinatura de Marcela Levi, em cartaz até o dia 18 no Espaço SESC, em Copacabana.
A dançarina carioca de 38 anos tomou gosto pelo ofício quando foi levada pelo pai a um curso de expressão corporal. Relutante com a idéia à primeira vista, Marcela, que estudava canto lírico, aos poucos venceu a timidez e encontrou na dança uma solução para o que chama de “depressão da adolescência”. Mais tarde freqüentou a escola de dança contemporânea Angel Vianna e a companhia Lia Rodrigues. E aí não parou mais: viajou pela América Latina e Europa com suas performances que se equilibram entre a dança contemporânea e as artes visuais.
Diferentemente dos três solos e do duo concebidos por Marcela, o atual trabalho é “de grupo”. São três bailarinos no palco: João Lima, Clarissa Rêgo e Laura Samy. Além deles, “Natureza monstruosa” conta com a codireção de Lucía Russo e com a colaboração dramatúrgica de Laura Erber. Esta é a primeira performance em que Marcela não aparece em cena – desta vez, ela se camufla na mesa de som, responsável pelo áudio da apresentação.
-É muito complicado dirigir e dançar. Era um desejo ver outros corpos ali, pensando comigo. Queria estar de fora, queria poder ver as questões que são importantes para mim vinculadas a outros corpos – explica a dançarina.
Para “Natureza monstruosa”, foram necesários ensaios de seis horas que se estenderam por cinco meses. O resultado é rico plasticamente, e traz mais perguntas do que respostas: em vez de uma narrativa clara, são várias micronarrativas que se atravessam e colidem, explorando o isolamento e o encontro.
-Ali estamos falando em desamparo, solidão inerente, um encontro que é um choque, que tem violência. Mas o afeto também é violento – diz Marcela. – Não me interessa deixar as pessoas tranqüilas. Associo a tranqüilidade, o conforto do “entender”, a uma certa apatia. Gosto do desconforto, daquilo que quase consegue articular, que é incompleto.



Os comentários estão desativados.

EM TRÂNSITO, 2013.
DIA ZERO, 2012.
SENHORA DOS AFOGADOS, 2000.
ELES NÃO SABIAM DE NADA, 2004.
pay for paperscustom writingedit my paperedit my paperedit my paperedit my paper