| O outro de João Lima |

— por Thiago Corrêa, Diário de Pernambuco. Outubro, 2010 —

Sete meses depois de encenar o espetáculo O outro do outro no Recife, o ator e dançarino pernambucano João Lima faz uma nova apresentação na cidade como parte da programação do 15º Festival Internacional de Dança do Recife. Desta vez, Lima deixa o ambiente do teatro para apresentar sua performance na Rua da Alfândega (entre o Paço Alfândega e a Igreja da Madre de Deus), no Recife Antigo, a partir das 22h.

Ator e bailarino pernambucano mostra performance na Rua da Alfândega.
Uma escolha desafiadora para o ator, mas ao mesmo tempo interessante, pois deve acrescentar novo peso ao jogo proposto pelo espetáculo, no sentido de embaralhar ainda mais os limites entre vida e arte. No corpo a corpo da rua, o abismo entre João Lima e a plateia tende a diminuir, dando um novo poder às palavras de apresentação do ator enquanto ele mesmo.
Propondo-se a discutir o sentido da identidade, o ator inicia um jogo de referenciação com base nas possibilidades que o discurso artístico permite. Primeiro ele diz seu nome, depois descreve características físicas, conta lembranças de infância que o ajudaram a ser quem é e números que o ajudam a se definir: RG, CPF, conta do banco e senha.
Fruto da bolsa de criação do programa Itaú Rumos Dança, a montagem se equilibra na fronteira entre dança e teatro. Pouco a pouco, as palavras de João Lima deixam de ser o único centro narrativo da performance e passam a dialogar com a expressão corporal do ator. Ele aplica o conceito do pintor René Magritte sintetizado na tela Ceci n’est pas une pipe (Isto não é um cachimbo) e passa a usar o espaço cênico para ser o que quiser.
Com a mesma expressão, ele pode ser um velho em coma ou uma criança olhando para o céu. Lima então assume o papel do pai, da mãe, da namorada, dos amigos, Caetano Veloso, brinca de ser o World Trade Center na hora do tombo após os ataques de 11 de setembro, a maçã de Isaac Newton e finge ser um lobo. Uma brincadeira que se estende para a plateia e só termina quando o silêncio se impõe diante da pergunta: quem somos nós?



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