| Visões cênicas sobre o mundo contemporâneo |

— por Márcio Bastos, Folha de Pernambuco. Agosto, 2012. —

“ILUSIONISTAS” é o quarto projeto da parceria entre João Lima e Vítor Roriz
Morando na Europa desde 2004, o artista pernambucano João Lima se apresentou pela última vez no Recife em 2010, com o espetáculo “O Outro do Outro”. Agora, ele volta para estrear sua quarta parceria com o português Vítor Roriz, “Ilusionistas”, que inicia temporada hoje, no Teatro Hermilo Borba Filho, às 20h. Concebido e estrelado pelos dois artistas, o trabalho tateia questões ligadas à contemporaneidade, como as relações humanas, a identidade e a temporalidade.
“Queríamos desenvolver uma dramaturgia que fugisse de definições; desejávamos investigar nossa relação com o tempo”, con­ta João Lima. Em “Ilusionis­tas”, os artistas propõem uma temporalidade que vai se desdobrando diante do espectador. Para isso, constroem a narrativa a partir de situações cotidia­nas, facilmente reconhecíveis, e outras de caráter ficcional. “Nos­sa intenção era partir do ordinário para talvez chegar no extraordinário. É um espetáculo sim­ples, mas intrigante”, diz.
Segundo o pernambucano, o espetáculo é um convite ao “olhar perplexo”. “A peça tem um lugar de estranheza que achamos muito valioso”, acredita. Para João, “Ilusionistas” fo­ge de rótulos – é teatro, dança e dialoga com as artes plásticas -, propondo um tipo singular de experiência. “Esse é um trabalho mestiço. Queremos instigar um olhar novo para coisas e situações que já se tornaram banais”, enfatiza.
Durante o processo de construção, uma questão que ficou clara para os artistas foi a necessidade de encontrar um lugar de fala para debater sobre a contemporaneidade. “Queríamos descobrir como falar sobre o nosso tempo, no nosso tempo e para o nosso tempo”, conclui João.



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